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24 fevereiro 2012

Meu perfil psicológico

- acho tudo inconstante demais. Querer se manter nexo num banzeiro é esgotar esforço por nada: você sempre se afoga antes do tempo.
Eu, eu me mantenho na oscilação, vou de onda a onda, até o mar mais profundo e depois deixo ele me afogar.
O meu cortejo, só os loucos retribuem.
Gotejado por onde passo, eternas e rudes palavras minhas.
Perdoe-me, sou surdo, às vezes mudo. Entenda como preferir.

PR Lima

21 maio 2011

Intervalo

alexandre

(Imagem: Alexandre E.)

- Ele tragou todos os meus Fracos e suspirou um "Eu Te Amo". Como se tudo em mim que formava um 'Não' fosse um pranto feito de beija-flor: leve, sem dor, sem ferida. Irracional.
(delirando)
- Ele cotou meu Forte em ponto fraco. Tornou-me sobrecarregado em dívidas do colo de umas e tais reações que nem conhecia.
Minha maré não O afogou, minha tempestade não O derrubou, meu terremoto não O bagunçou: O meu Eu nem O tocou.
( - Quis ter te derrotado, meu Pior Mau.)

  Não me culpo por ser fraco, ou forte o suficiente por você. Não me entristeço por eu ser apenas mais um dia em seus passados. Não me importo de nada. Mas sonho em poder me assistir ferindo a sua nostalgia, com aquele meu vazio que lhe causou algumas escoriações na alma. Por um instante, em algumas destas, queria ter sido a sua dor. Pedi a Deus que antes que desse mundo partisse, eu fosse a causa de algum arrependimento seu. E eu me alegraria.
  Consigo te odiar por qualquer motivo, mas te odeio com mais força por ter me ensinado a Amar.

Pr. Lima

26 abril 2011

Renascimento

pesadelos

  Silenciado pela inquietação dos meus devaneios, afogo-me no doce abismo do cálice. Transbordando-me de calafrios, arrepios, sexo.
  Da sombra do meu travesseiro surge um homem, nu, de asas negras, ferindo a minha paz. Tremo, grito e corro, mas estou perdido em minha cama. O homem me abraça com suas mãos frias e rígidas, navegando-as aos meus lábios. Numa blandícia maligna, espreme o meu ar, sinto conforto, um terrível conforto. Um orgasmo de desespero.
  Acordo como se estivesse renascido, infelizmente, em mais um pesadelo: meu quarto está repleto de demônios, todos me deblaterando com gargalhadas e grunhidas. Meu terror está acordado. Minha alma pútrida. Meu espírito corrompido. Meu coração barateado.
  Prostrei-me,

Pr Lima

02 julho 2010

Defesa:

Procuro por um amor que não envelheça.
Por um amor que não conte datas. Que não pereça.
- meu amor é sempre pequeno, sempre crescendo.
Quero um amor em chamas ardendo
Não quero um amor que me faça dormir calmo.
Quero um amor que me faça estar acordado.
Não quero um amor conto-de-fadas.
Quero um amor vivo, vivido, real e sem explicação
Um amor não adjetivado. Em incondição
Não quero amor, quero um amado.
Não ser amado, só ser lembrado.

PR Lima

06 maio 2010

O Naipe Desgraçado

Ao que o tempero de um corpo se mistura a lírica alma de um homem, nasce a paixão. Que morra caquética a tristeza que nunca desata da garganta, a febre que sufoca o coração de um amante não amado. A dor e o pesado vazio que manifestam no silêncio de um pesadelo careado com a mágoa e a raiva. Alimentado com o ódio e o sangue do fálico sexo.
Sangra, sangra sofredor, vítima do amor. Sofra, sofra e morra pelos prantos que não nasceram, das agulhas que não te curaram, pelo clamor que nunca foi respondido. Grite, rasgue a garganta com o nó, asfixie o coração com a febre, derreta teus olhos sobre o espírito maldito que atreveu criar o amor.
- amor, amor e ódio, trágico conto erótico.
Nesse teu coração há um Rei, desesperado e aflito, com sua plebe massacrada, com a sua coroa quebrada e sua Copa despedaçada. O amor destrói, o amor constrói. Ele erra, corrige, erra e aprende. Veja, o amor é o teu coração, não quem tu amas. Mergulhe, embebeda-se nesse sentimento que não explica o bem, mas concretiza o mal.
O amor é você mesmo.

PR Lima

11 dezembro 2009

Medo de Deus

Foram só alguns sonhos não realizados, na verdade, acovardados pelo despertador, aí eu acordei. Tal despertador não era de ferro, três ponteiros, alguns números grafados e não atirava sons pausados no ar, mas feito de imagens, várias delas, correndo uma sobre as outras num extenso senso memorial, e meus olhos quase vivos. Conversei com alguém pelo telefone sobre algumas coisas que quero fazer no ano novo. E pensei muito sobre tudo.

Ando temendo o mundo, evitando de uma forma inaceitável as pessoas que por perto querem estar de mim. Mas contraditoriamente me vem a pergunta: ‘quem está querendo ficar perto de mim?’. Resposta: ninguém. Dependendo da forma de interpretação, minha mãe e meu vizinho querem. Querem me levar à igreja, dizem que me faria bem se eu desabafasse com Cristo e com Ele, mas até mesmo de Deus tenho sentido medo, aí eu confesso, é Dele o maior medo que sinto. Não sei explicar a causa exata desse temor, se quer de uma forma concreta, mas um Homem que, teoricamente, pode definir quase tudo na minha vida e inclusive sobre o destino da minha partida, no mínimo merece tal respeito – existem duas espécies de respeito: o respeito por medo e o respeito por respeito, e está bem claro qual desses é o tipo de respeito que tenho por Deus. E essa oscilação entre tudo que falo me enjoa, numa hora digo com certeza, e enquanto me defendo me vêm tantas perguntas que paro e faço mais uma, ‘será que é isso mesmo que eu quero?’ e isso me deixa sem sentido algum, sem abrigo, só um grande e chato vazio. Queria gritar bem alto, mas também calado, só me bastava que alguém escutasse. É só mais um pedido de socorro não convencido que faço em mais uma noite que não durmo.

Preciso de algum lugar onde me seja possível o conforto, onde eu não precisasse sobreviver de mentiras ou amadores em atuação, mas isso é uma utopia. No momento, o único lugar onde parte desse meu desejo é possível é na minha cama, longe das pessoas, longe dos amigos, longe da minha família, é onde eu posso encenar o meu mundinho medíocre feito de cigarros, bebidas fortes e algumas tralhas de livros que nunca termino de ler. E, a minha mais recente companheira Árvore de Natal, as luzes nela me acalmam, consigo por poucas vezes, vezes bem animadoras, dormir quase tranqüilo. Não é bem uma tranqüilidade propriamente dita, mesmo assim, confortável e carinhosa o suficiente para me manter deitado. O presente foi dado a mim pela minha mãe, que no ato, disse que a minha casa precisava de mais alegria, e junto algumas notas como a necessidade de uma urgente limpeza sobre os móveis, de fazer a cama, comprar coisas saudáveis para pôr na geladeira e mais. O que ando comendo, isso é outra coisa que me intriga. Quando volto do trabalho a primeira coisa que faço é pegar uma cerveja na geladeira e preparar uma omelete e comer com arroz. Trabalho numa cozinha; faço vários pratos com receitas lindas; entro em casa e como omelete com arroz e cerveja. Ontem estudei esse caso e cheguei à conclusão de que só não faço um jantar decente porque é meio depreciativo. E evitar essas situações é muito importante pra mim.

Eu mesmo sou a minha própria maior ameaça. O que eu posso fazer contra mim é bem pior que qualquer outro estranho pode fazer. E esse meu medo anormal de Deus, talvez seja por eu saber que ele mora em mim, que é Ele quem me controla e me faz sentir e pensar tudo isso, por saber que eu sou Deus de mim mesmo. Em fim, não sei o que digo, só queria ser escutado, vez ou outra é até bom falar sozinho, mas precisa ser em voz alta, assim Deus escuta melhor.

Que tudo em mim sobreviva, caso não, que pelo menos renasça.

PR Lima

09 dezembro 2009

Sobre ser o Paulinho.

Eu sempre me afasto das pessoas e dos amigos com o intuito de querer ficar só, e também sempre repito pra mim mesmo que me sinto melhor estando longe de todos, que isso me manteria vivo e firme, sem fraquezas no amor ou afinidade por alguém em que apostaria a decepção ou o fracasso, porque não sei manter a minha alma estável, menos ainda as minhas escolhas. Em fim, nunca fiquei. A verdade é que tenho um grande medo da solidão por não a conhecer crua e viva, ou talvez seja uma simples expectativa, a verdade, outra vez, é que não sei bem nada sobre mim. O que explica essas minhas atitudes, superficialmente e principalmente de forma sucinta, é o meu senso masoquista de querer testar meus limites, medir a minha capacidade e força. Se for simplificar, eu mesmo diria que só faço isso com a vontade de querer evitar a decepção das pessoas, e por isso preciso manter a distancia entre mim e elas. Nunca me decepcionei até hoje, mas sei que deve doer e que ensina muita coisa.
Por trás de um menino que diz não se importar com ninguém e até mesmo rir na cara da tristeza, existe um homem que controla a capacidade dele ainda ser um pouco de carne. Espero não deixar escapar nem um dos dois de dentro de mim por muito tempo.
Essas auto-análises de experiências emocionais me esgotam, mas é divertido se descobrir de outra forma que não se masturbando. E lá se vai o meu último cigarro.

PR Lima

13 outubro 2009

Com Licença

A cada sentimento em mim expresso, há um Eu distinto deste de agora, daquele que virá e também daquele que faleceu há poucos instantes. Todos os dias eu repito os mesmos gestos: nasço na manhã calada de passos de homens e mulheres; cresço um pouco por volta da tarde, amadureço no belisco da noite sobre o sol salgado, adoeço com as estrelas e finalmente morro fálico sobre a lua cheia. Cala-se na bêbada madrugada, meu perfume velho.
Na pequena fisgada do incenso, que por graça ainda incendeia meu passo aos céus, confraternizo a minha vida, o meu martírio e minha órbita. Brindo o vinho, o sangue e os ossos. Da frágil felicidade entorpecida e folgada que vela meus prantos, abençoa, ela, o falecer do pouco da minha criança.
Eu morro sem deixar cartas, sobra apenas a minha silhueta indagada pelos meus fantasmas, estes, deste Eu que já irá partir.
Peço licença, daqui a pouco renasço e volto para os teus braços.

PR Lima

14 setembro 2009

Sentido Um

Submisso na embriaguez, perdido entre o trago e a boemia da imensidão dos meus temores, carrego a tensão, o peso e as agulhadas do cansaço em minhas costas.
Coroado com espinhos, algemado com estacas: sangro a lua intangível aos olhares de quem me consola o esplendor pela palha do meu incenso.
Tracei a graça da minha paixão em um papiro rude, solando a pluma de um sonho que esvaiu dos meus sonhos, de pesadelos e mais suores criei uma fortaleza; das palavras que ruí da minha lembrança criei rezas e orações, com o infinito pregado em cada uma delas. Concordei com absurdos, blasfemei meus princípios, criei uma armadura fraca sobre o meu corpo. Meus frutos, então, acabaram por apodrecer, extorquindo da minha aura a incandescência da minha paz.
Já não creio em milagres, e meus vazios já me preenchem, hoje o que me basta é sossegar pela dormência de sete apertos de mãos.
Agora e hoje, algumas coisas já me fazem sentido.

PR

27 julho 2009

Alterações

Não existem mais as flores do passado. Restou o entulho de lembranças.

O que sobrou de uma longa temporada de viagens foi apenas o resultado. Resultado, este, que hoje esculpe quem eu sou, irrefutavelmente, mais tarde um resíduo há de plantar neste chão: aquele quem eu serei, aquele quem colherá. Temo neste futuro não ter mais coração, temo enquanto me permanecer vivo, perder aos poucos a capacidade de rezar por boas vindas, afrontar as alegrias, despejar pela garganta o clamor pela vida. Por instantes de um dia completo, sinto uma tremenda carência que não há neste ou em outro corpo uma cura saciável. Perfumes estranhos, odor das marcas que ficaram, a degustação pecaminosa que restou, tudo me incha, entretanto, apenas me inflamam e depois se esvaziam, sobrevivendo apenas as minhas cifras. Que contanto, me guiam. E vou mergulhando em outra viagem. Basta a pauta para louvar a loucura.
Em cada passo semeio rosas, brancas e também as vermelhas, para ser seguido pelos meus atos, não pelos meus fatos. A quem me segue apenas um aviso: moro em um poço. Um poço de cores inexistentes, de sonoridades fluentes dos aromas intangíveis, sabores que lembram nuvens ensopadas com a luz do sol. Descanso em meio à guerra, numa pequena paz reluzida nos olhares de quem roga esperança, na alma do soldado crente a realizar um sorriso de uma criança, numa face atropelada pela tristeza. Alimento-me de tempestades, porque creio no caos supracitado pela paz, rezo a cura para a contundência da amargura.
Sou feito de leveza, cansaço, ferida e ausência. Sou cura para ombros, sou a incisão nos pulsos e também as lágrimas de um pranto. Posso ser do conforto à fadiga, da calma à ansiedade, posso ser o que teu corpo requer. Porém, a certeza que tenho, é a de que sou inundável para a tua respiração, afogo e mato.
Meu amor é completo, seguro e ateu. Minhas sensações são curtas e desprezadas, afixas no momento em que apartam de seus ventres. Meus cantos ficam no momento em que acontecem. Sou de pouco período, sou de mares volumosos. Nasço e morro poucas vezes, mas quando morro é no êxtase, e quando nasço, é na paixão. Minha alma permanece em tudo que é inquieto.
Minha fidelidade é ao ódio, que abençoado por tanta pureza e força, colhe o amor da mais real honra. É o sentimento que jamais injuriará.
Sou tudo, tudo que não possuo.

PR

14 julho 2009

O mais belo sonho

Às margens de um pesadelo, afastei-me, forçando o despertar com o rosto sobre o travesseiro enxugando o desespero. Não eram atos, naquele sonho, eram sentidos: vários deles congestionados e bagunçados, interpolando, oscilando entre a lucidez e a loucura, mantendo-me recuado no canto da fadiga. Não era medo que me atormentava, era a sensação de mastigar cascas de ovo, como se numa bocarra, entranhasse os dentes no próprio coração desidratado pela mágoa, seco, pálido e feito de areia. Ao levantar me vejo recepcionado por um sádico silêncio forjado pelas paredes e, mais uma vez, encontrei-me ausente de qualquer amparo.
O tal sonho:
O meu mar era feito de pedras, escombros de pássaros mortos, navegava sobre um corpo almejado pelo sucinto desejo da inexistência. Afrontando os vestígios de martírios, deslizava entre larvas e moscas, zurzindo a respiração. Estreitando a visão às lentas, um estertor me causava embriaguez. Assistia, voando sobre meu cadáver, a um anjo negro de asado vermelho café, sacudindo pelo pairar um perfume ungido pelos desgraçados. Intangível pela narina, tangível pela pele: queimando a nesga dos dedos, germinando na boca sabores denso, estremecido e nauseativo, numa expectativa contundente ao qual se refere o aluir da minha sobrevivência, eu me perdia.
Não era morrer, era transformar-se.
Não era decompor, era sublimar-se.

PR

29 junho 2009

querido blog,

ando sentindo uma vontade incontrolável de deixar de existir.
ando nada bem. nem ando, acho que me rastejo. as vezes consigo sentir meus ossos tocando o chão, sensação estranha de já ter morrido.

22 junho 2009

Minhas lembranças, para ti, minha honrosa vida de sofrimento.

Sei que nesses últimos dias minhas lembranças andam sonolentas demais, que a fadiga, ainda sonolenta, me faz deitar num tropeço nas minhas angústias, cuja nestas ainda me encontro afogado. Sem ajuda, sem conforto, minha rotina costurada na nesga da insuportável vontade de explodir, de me isolar do mundo inteiro.
Poderia afirmar banalidades, tais como a que digo que posso viver apenas das tuas lembranças, dos dias bons que agora sei que jamais irão voltar. Ser um museu com pernas e braços, com mãos e pensamentos, podendo migrar do frio para a calorenta solidão, podendo marcar meus passos em pontas de lápis e nas faces dos papiros. Indaga-me algo que sugira que tudo que faço é errado. É o teu maior dom, sendo ou não sano ou pelo menos ingênuo, continuo sendo uma larva, eu ainda não descobri como levantar as asas que felizmente não tenho, isso me traz a tranqüilidade que acoberta minha ansiedade, serei uma criatura desasada por quanto durar meu sofrimento, que digo, por um lado é delicioso, por outro é incompreensível. São coisas belas do amor: sofrimento, dor, martírios e boemias. Sinônimo de amar é sofrer, ou para os mais otimistas, o amor é o mais próximo sentimento do ódio.
Um pequeno risco sobre minhas idéias:
Odiar é lindo, talvez uma das mais puras ações da cardiologia humana – de onde vêm os sentimentos? Do coração ou da sensação? Do consciente ou do subconsciente? Inconsciente? De onde? Como produzir um sentimento? Queria te odiar, pelo menos quando quisesse, eu poderia voltar a te amar facilmente, mas sei que prefiro sofrer.
Nas noites em que durmo onde por várias vezes já desfrutamos do sabor um do outro, desejo te encontrar quentinho, te procuro virando de um lado para outro, na esperança de me redimir nos teus braços e me encolher no teu ombro, pacificando a minha alma de todas as inquietudes. Delirando meus lábios, desfrutar mais uma vez do sabor das infinitas cores desconhecidas por qualquer ser deste mundo, daquele oco poço de ares e perfumes, da vontade de flutuar em teus abraços, de dormir com os teus beijos. Queria por mais uma única vez, me esconder no teu peito, refletir aí que me sinto seguro de tudo, que é o meu céu dentro do meu mundinho chamado ‘Tu’. Ainda sobram prantos em lugares que tento te encontrar, nos meus dias normais, não sinto vontade de abrir meus olhos, porque enquanto os mantenho bem negros, posso ainda escutar tua voz, posso ainda enganar meu olfato e sentir a tua flor, mentir para as minhas mãos e dizer que elas estão tocando em tua pele. Teus retratos, tuas palavras e tuas vertigens ainda passeiam por mim, ainda conversam comigo, ainda me dão carinho, ainda me dizem ‘nós te amamos’, elas não me deixam dormir sozinho. Todas elas ainda estão aqui, comigo, são minha utopia.
Eu e minhas lembranças, andamos ligados de forma umbilical, ela é meu alimento, meus sais e minha sobrevivência. Sou louco por te amar dessas e de outras formas todos os dias, de me lembrar da tua presença em cada intersecção de passos. E tu, nem sabes que existo, não mais. E isso não é pior da loucura, a mais esquizofrênica das minhas idéias é a de que tudo que não existe nesse mundo é perfeito. É puro e fértil, o mais doce dos frutos. Já larguei pelos marcos dos meus passos, pequenos borrifos de minhas palavras, e rezo todos os dias para que tu as encontres e sigas até o fim, porque não me importa o tempo, não me importa a eternidade e não temo a morte, estarei te esperando por noites e dias, rareados sois ou chuvosas tardes de domingo a domingo, não temo o meu destino, estarei te esperando até o soprar da minha vela. Mesmo que jamais nos encontremos, a honra de ter sofrido por ti e não por outro, será a marca da minha vitória neste mundo, e partirei com as feridas deixadas por ti em meu peito.
De qualquer modo, meu amor, sofro porque quero, porque sofrer é belo, é amar. E amar é ser vivo. São coisas da vida. Não há o que mudar.


PR.