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17 maio 2010

Existência Calculada

Falta que sinto de meu coração breu, pacificado e contente. Não quanto antes de te servir-lo como acalento beijo num sentimento tão infrutífero, antes de me derramar num corpo tão vadio e seco — mas quão belo deserto és, de uma beleza perfeita e angelical, ao mesmo tempo ímpeto e desgraçado, num equilíbrio de um hino com um pranto, todos uníssonos. E se no passado houve alguma alegria, ébria alegria era, embriagada de teu cheiro, de teu gosto, mas sempre incompleta alegria. Mais: se neste mesmo passado houve paixão, agora é só um vazio exaurido por teus fracassos. Porque ser amado por mim é difícil, eu deixar de amar é pior ainda e me amar é impossível.
Minha alma celerada que atordoa meus dias, sinto medo, dor, tristeza, ódio e medo. Mas muda, jamais. Grito e espanto meus demônios, meus inimigos, mas não consigo afastar os febris fantasmas enterrados tão cuidadosamente em mim. Num tom tão doce que lúgubre, meu próprio sorriso pisoteia a minha paz quando em tão distantes lábios te vejo perdido.
O que me resta é balbuciar a Deus que entrave um encontro nosso, que se acaso acontecer, não me hesitarei em dizer que sempre te amei, e sei que isto riscará um ponto final na minha paz. Não fosse o ódio que sinto, não sei do que seria o meu amor por ti.

PR Lima

06 maio 2010

O Naipe Desgraçado

Ao que o tempero de um corpo se mistura a lírica alma de um homem, nasce a paixão. Que morra caquética a tristeza que nunca desata da garganta, a febre que sufoca o coração de um amante não amado. A dor e o pesado vazio que manifestam no silêncio de um pesadelo careado com a mágoa e a raiva. Alimentado com o ódio e o sangue do fálico sexo.
Sangra, sangra sofredor, vítima do amor. Sofra, sofra e morra pelos prantos que não nasceram, das agulhas que não te curaram, pelo clamor que nunca foi respondido. Grite, rasgue a garganta com o nó, asfixie o coração com a febre, derreta teus olhos sobre o espírito maldito que atreveu criar o amor.
- amor, amor e ódio, trágico conto erótico.
Nesse teu coração há um Rei, desesperado e aflito, com sua plebe massacrada, com a sua coroa quebrada e sua Copa despedaçada. O amor destrói, o amor constrói. Ele erra, corrige, erra e aprende. Veja, o amor é o teu coração, não quem tu amas. Mergulhe, embebeda-se nesse sentimento que não explica o bem, mas concretiza o mal.
O amor é você mesmo.

PR Lima

01 maio 2010

Teu Poeta, tua Alma

Todo esse teu poema, me encanta
Me adoça e me apaixona.
Me ilude, me entristece
Me machuca e me magoa

Porém até na dor que causa
Esse teu poema ousa em ser belo.
E é até sem querer, dessa felicidade
Que teima fugir de mim quando não quero.

Canto teu nome, eu clamo.
Minhas mãos não param
Rabiscam, riscam: eu te amo.

Cante lenta, como num rio se rema
Só pra mim, a tua alma
Essa alma que é um perfeito poema

PR

 

Tudo é um canto, com cheiro de alfazemas. Cante para mim mais uma vez.

21 abril 2010

Verso Evangelista II

, mas, se fiz de você a eternidade de cada alegria, como é que sobreviverei de curtos sonhos e euforias sem significado que não o seu?
Sorri com todos os seus sorrisos, chorei com todas as suas lembranças e guardei em todas as partes de mim o seu carinho cheiroso. Abracei-lhe todos os dias mesmo que de faz-de-conta, beijei o seu rosto várias vezes, dobrei o meu orgulho e confessei até que lhe amava.
Se enquanto continuar a desejar um final que não cabe a felicidade, é porque de mim, a felicidade é grande demais para caber em única história com você. Então vamos, eu imploro, vamos viver várias histórias juntos, vamos sorrir várias vezes e brigar várias vezes, vamos tornar uma musica lenta o nosso hino de serenata, vamos cantar juntos no chuveiro, vamos dormir mais vezes juntos, vamos nos esconder no seu ou no meu quarto de tudo, porque agora que estou, sei o quanto é frio aqui fora.
Quantas vezes com você me deixei ser espontâneo, deixei um espírito gritar dentro de mim, fiquei horas na frente do espelho me preparando para um encontro com você, deixei que seus beijos me tornassem mais que de verdade, mais que um simples boneco de eucalipto. Mais que isso eu deixei que tomasse posse desse lado que cabem as lembranças no meu peito, fiz de você a recordação que irá sempre correr pelos meus dias de nostalgia.
Dera que a mim pudesse a oportunidade de lhe acordar com a calma de um dia nublado, de qualquer pesadelo, mas por enquanto e quanto se de longe é que deve ser, assim é que será todo o meu amor por ti, a base de cartas que temo não serem respondidas.
Se por Deus foi me dado a capacidade de sofrer um vazio, é neste vazio que caberá o meu teodoro, vazio onde só você e suas cócegas terão as chaves. Não se incomode de lembrar o quanto estou amando mesmo agora, esse Você que ainda existe em mim, e quando sentir falta de um abrigo, fuja para o meu ombro, onde meus braços irão lhe segurar e salvar de qualquer frio. Não prometo ligar todos os dias a você, mas de mim serão feitas as rezas que clamarão por sua segurança sempre antes de dormir.
Agora que já me tornou de carne e espírito, é incondicional tudo que sentirei por você: saudades e mais saudades.
Até logo quando ainda te amarei.

PR

24 março 2010

Dois Segundos

    Toquei-te os lábios com meus poemas, de vontade a te acariciar o coração, vesti tua alma com o meu corpo. Vaiava lenta e suave, tua dança debruçada sobre meu colo, mais, mais tu em mim. Ofertei meu tato em altar no palmo da tua língua. Perdidos, nossos braços, nossos pés e nossas mãos que nem sabiam onde estavam. Se era perdido entre tuas costas, ora se eram meus olhos que se enchiam com o teu rosto de criança lambendo um doce. Ao íntimo sublime, tu me revestiste com o teu doce, salgado, amargo, tudo de ti louvado em mim.
    Enquanto manifestava várias brisas, minha alegria sentia o teu cheiro, me embrulhando e me protegendo de toda tristeza sem explicação.
    Dentro de mim não tem outro espaço que não o teu, nem uma parte de mim te quer longe, tudo em mim seca sem ti.

PR Lima

09 março 2010

Verso Evangelista

  Se eu pudesse, eu me reinventaria. Renasceria, me reeducaria e me tornaria bom. Se algumas coisas nesse cotidiano fosse possível, como por exemplo esperar por ti antes mesmo de nascer, eu teria feito tudo por ti. Eu teria planejado meus passos e direcionado cada um dos meus pés sobre o rastro dos teus. E quando finalmente te encontrasse, diria que fui feito exclusivamente de tuas necessidades.

PR Lima

04 janeiro 2010

Álgida Carta

Cheguei a um ponto de não reconhecer se quer as minhas próprias tristezas. Ultimamente tudo que tenho feito é temer o meu futuro que persiste em pesar ainda mais sobre algumas cargas insuportáveis que venho acumulando dentro de mim, são raivas que tenho medo de enfrentar, idéias que não consigo defender, por mais lógicas que todas elas façam, e um amor do passado que não consigo desalojar de mim. Nem única gota de euforia resta em meus dias. Não quero ser melancólico, não quero ser fraco, não quero ser covarde por não enfrentar as minhas dores, minhas saudades. O que no momento floresceu na minha lembrança, foi um vazio exclamativo do GN, de amigos que suspeito nunca terem me pertencidos, ou ainda, nem um e nem outros, persistidos na difícil tarefa que é a de me amar.
Cada dia de trabalho me exausta como se fossem milhares de horas, não as curtas vinte e quatro. Por mais que o meu próprio veja o quanto tenho, não aguento mais essa minha solidão sem motivos, essa falta de algo doce tocando os meus lábios, do vento que nunca consigo escutar. Há algum tempo tenho feito perguntas retóricas pessoais como "será que eu deveria ter amarrado aquela corda mais forte?”; “será que eu deveria ter cortado os meus pulsos mais a fundo?”; “será que não teria sido melhor se eu tivesse tomado a coragem de jogar o meu corpo contra aquele carro?" e tudo me retorna ao nada.
Queria ter amado mais, queria ter sorrido a ponto de deslocar minhas mandíbulas, queria ter acompanhado o GN até o aeroporto. Queria ter dito ao meu pai que apesar de toda a dor que as palavras dele me causaram, eu o amei automaticamente por todos esses dias, assim quanto a minha mãe e meu irmão, sem quererem, foram sempre dormir no meu leito.
Tenho tantos amigos bons, que sinto falta de dizer que cada um deles são de muita importância pra mim. Não posso, é claro, citar o nome de cada um deles nesta carta, pois apesar de me ter criado um gelo, tenho medo de fazer alguém sentir o abandono mesmo que seja por um motivo retardatário. A cada pausa que faço para descansar, minha mente fica aberta paras essas perguntas discursivas, e eu sinceramente cansei muito de inventar uma resposta para cada uma delas. De fingir que me alegrei com um presente, de que estou me divertindo numa festa, de que já consegui esquecer algumas decepções. O que não me matou até hoje, serviu de experiência e sabedoria, por mais vagabunda que elas sejam. Porém, não posso negar que elas se acumularam de tal forma que, juntaram forças com esse meu vazio e acabaram gastando o que restou de minhas forças.
Ao GN, só fiz de único desejo, um pedido que me colocasse no teu colo pela última vez. Queria levar comigo aquela paz que eu sempre tive quando cabia pequeno no teu ombro calado. Todos esses dias eu não consegui negar que continuei te amando. Todos esses dias, eu nunca consegui acreditar que te esqueci. Na verdade não queria se quer de início, aceitar que me perdi em outro mundo que não esse que fiz na palma da tua mão. Mas só o meu desejo é forte para te realizar toda a alegria e felicidade que tu merece, porque só meu amor por ti é tão firme quanto os teus passos. Eu Sempre Te Amei Demais.
Ao mundo, deixo um apelo: nunca abandone, jamais, alguém por quais quer simplicidades ou materiais. NUNCA subestime a capacidade que um grão de areia tem de entristecer uma pessoa.
Corações são fracos. Podem ser de pedras, de carne, de ferro, bombear muito ou pouco sangue, ser saudável ou doente, mas ele não se chamaria Coração se não fosse destrutível.

Até Logo.


Escrevi isso há um tempo, é um marco de 2009 do qual pretendo abandonar no passado e jamais reviver.

PR Lima

08 outubro 2009

sem título

Num dia dourado irei acordar
E quebrando as grades da janela,
As mãos macias do sol irão me enxugar
De todos os sonhos que me impuseram a decorar com os meus sorrisos.

Um dia irei me libertar
E pela porta de um quarto morno
Se quer uma mágoa irá atravessar
De um presente não vivido, manter-me-ei morto.

Um dia poderei voar, com asas que não as tenho, ao eterno
Para o refúgio sob uma nuvem: de um garoto vaziar a vida
Ao vilarejo em que as minhas feras adormecem
Calando os seus cantos no canto da minha ferida.

Com os pés, feito lençol, abraçar várias areias
Constranger o árduo, assentar a fertilidade em minhas mãos.
O ventre dolo desse calo, marcado estará em minhas veias.
Culpando a minha cegueira, resguardando a minha mudez

Regará então, o louvor virgem
Foliando a minha partida com pétalas de prantos.
Ao nublado som de meus passos
Deixarei apenas o meu entardecer à bocarra das madrugadas.

Ao vento, largarei todas as minhas rezas
Ao delírio, à loucura, à incerteza forjarei meu destino
Crente, a um belo encontro com os meus ossos.

14 setembro 2009

Sentido Um

Submisso na embriaguez, perdido entre o trago e a boemia da imensidão dos meus temores, carrego a tensão, o peso e as agulhadas do cansaço em minhas costas.
Coroado com espinhos, algemado com estacas: sangro a lua intangível aos olhares de quem me consola o esplendor pela palha do meu incenso.
Tracei a graça da minha paixão em um papiro rude, solando a pluma de um sonho que esvaiu dos meus sonhos, de pesadelos e mais suores criei uma fortaleza; das palavras que ruí da minha lembrança criei rezas e orações, com o infinito pregado em cada uma delas. Concordei com absurdos, blasfemei meus princípios, criei uma armadura fraca sobre o meu corpo. Meus frutos, então, acabaram por apodrecer, extorquindo da minha aura a incandescência da minha paz.
Já não creio em milagres, e meus vazios já me preenchem, hoje o que me basta é sossegar pela dormência de sete apertos de mãos.
Agora e hoje, algumas coisas já me fazem sentido.

PR

19 agosto 2009

Canto ao Vento Passageiro

Quanto às remoídas lembranças, as esqueça em qualquer corredor, jogue-as sobre quaisquer traços de lençóis quebrados, lance-as em qualquer castigo. Pois, o que quero me tornar hoje é teu fogo nos indevidos sarcófagos frios, das noites mais soturnas.
Quero ser tua sombra em desertos infinitos. Em dias de queimar os pés, ser o teu chão para acalmar os tormentos, teus cansaços. Tornar-me chuva, quando teu coração estiver seco pela amargura.
Quero em ti adormecer, e caber na palma da tua mão. Quero viver, no êxtase da essência do teu olhar, no cântico soberano da tua fragrância, me fortalecer com a tua voz.
Jus em mim, o amor que clamei ferido, rezei pecador, sonhei feito criança. Em ti encontrei, quanto como santificar de uma escuridão surda, o raio e o trovão que devastou as ruindades, o dilúvio que lavou o meu espírito. Por ti ceguei meus sentidos, para escutar somente tua respiração, e assim, me mantendo em paz.
Quero ser teu ar, se faltar.
Quero ser tua água, para saciar.
Quero me tornar teu único, para te amar.
Quero te amar.
Quero que me conceda o árbitro para me semear em ti, porque preciso renascer e colher bons frutos.

27 julho 2009

Alterações

Não existem mais as flores do passado. Restou o entulho de lembranças.

O que sobrou de uma longa temporada de viagens foi apenas o resultado. Resultado, este, que hoje esculpe quem eu sou, irrefutavelmente, mais tarde um resíduo há de plantar neste chão: aquele quem eu serei, aquele quem colherá. Temo neste futuro não ter mais coração, temo enquanto me permanecer vivo, perder aos poucos a capacidade de rezar por boas vindas, afrontar as alegrias, despejar pela garganta o clamor pela vida. Por instantes de um dia completo, sinto uma tremenda carência que não há neste ou em outro corpo uma cura saciável. Perfumes estranhos, odor das marcas que ficaram, a degustação pecaminosa que restou, tudo me incha, entretanto, apenas me inflamam e depois se esvaziam, sobrevivendo apenas as minhas cifras. Que contanto, me guiam. E vou mergulhando em outra viagem. Basta a pauta para louvar a loucura.
Em cada passo semeio rosas, brancas e também as vermelhas, para ser seguido pelos meus atos, não pelos meus fatos. A quem me segue apenas um aviso: moro em um poço. Um poço de cores inexistentes, de sonoridades fluentes dos aromas intangíveis, sabores que lembram nuvens ensopadas com a luz do sol. Descanso em meio à guerra, numa pequena paz reluzida nos olhares de quem roga esperança, na alma do soldado crente a realizar um sorriso de uma criança, numa face atropelada pela tristeza. Alimento-me de tempestades, porque creio no caos supracitado pela paz, rezo a cura para a contundência da amargura.
Sou feito de leveza, cansaço, ferida e ausência. Sou cura para ombros, sou a incisão nos pulsos e também as lágrimas de um pranto. Posso ser do conforto à fadiga, da calma à ansiedade, posso ser o que teu corpo requer. Porém, a certeza que tenho, é a de que sou inundável para a tua respiração, afogo e mato.
Meu amor é completo, seguro e ateu. Minhas sensações são curtas e desprezadas, afixas no momento em que apartam de seus ventres. Meus cantos ficam no momento em que acontecem. Sou de pouco período, sou de mares volumosos. Nasço e morro poucas vezes, mas quando morro é no êxtase, e quando nasço, é na paixão. Minha alma permanece em tudo que é inquieto.
Minha fidelidade é ao ódio, que abençoado por tanta pureza e força, colhe o amor da mais real honra. É o sentimento que jamais injuriará.
Sou tudo, tudo que não possuo.

PR

29 junho 2009

querido blog,

não aguento mais, parece que tudo dentro de mim dói, ou não presta. ao mesmo tempo que quero alguém perto de mim, também quero ficar só.
tudo bagunçado demais. tudo muito sem sentido, muito sem importancia.

22 junho 2009

Minhas lembranças, para ti, minha honrosa vida de sofrimento.

Sei que nesses últimos dias minhas lembranças andam sonolentas demais, que a fadiga, ainda sonolenta, me faz deitar num tropeço nas minhas angústias, cuja nestas ainda me encontro afogado. Sem ajuda, sem conforto, minha rotina costurada na nesga da insuportável vontade de explodir, de me isolar do mundo inteiro.
Poderia afirmar banalidades, tais como a que digo que posso viver apenas das tuas lembranças, dos dias bons que agora sei que jamais irão voltar. Ser um museu com pernas e braços, com mãos e pensamentos, podendo migrar do frio para a calorenta solidão, podendo marcar meus passos em pontas de lápis e nas faces dos papiros. Indaga-me algo que sugira que tudo que faço é errado. É o teu maior dom, sendo ou não sano ou pelo menos ingênuo, continuo sendo uma larva, eu ainda não descobri como levantar as asas que felizmente não tenho, isso me traz a tranqüilidade que acoberta minha ansiedade, serei uma criatura desasada por quanto durar meu sofrimento, que digo, por um lado é delicioso, por outro é incompreensível. São coisas belas do amor: sofrimento, dor, martírios e boemias. Sinônimo de amar é sofrer, ou para os mais otimistas, o amor é o mais próximo sentimento do ódio.
Um pequeno risco sobre minhas idéias:
Odiar é lindo, talvez uma das mais puras ações da cardiologia humana – de onde vêm os sentimentos? Do coração ou da sensação? Do consciente ou do subconsciente? Inconsciente? De onde? Como produzir um sentimento? Queria te odiar, pelo menos quando quisesse, eu poderia voltar a te amar facilmente, mas sei que prefiro sofrer.
Nas noites em que durmo onde por várias vezes já desfrutamos do sabor um do outro, desejo te encontrar quentinho, te procuro virando de um lado para outro, na esperança de me redimir nos teus braços e me encolher no teu ombro, pacificando a minha alma de todas as inquietudes. Delirando meus lábios, desfrutar mais uma vez do sabor das infinitas cores desconhecidas por qualquer ser deste mundo, daquele oco poço de ares e perfumes, da vontade de flutuar em teus abraços, de dormir com os teus beijos. Queria por mais uma única vez, me esconder no teu peito, refletir aí que me sinto seguro de tudo, que é o meu céu dentro do meu mundinho chamado ‘Tu’. Ainda sobram prantos em lugares que tento te encontrar, nos meus dias normais, não sinto vontade de abrir meus olhos, porque enquanto os mantenho bem negros, posso ainda escutar tua voz, posso ainda enganar meu olfato e sentir a tua flor, mentir para as minhas mãos e dizer que elas estão tocando em tua pele. Teus retratos, tuas palavras e tuas vertigens ainda passeiam por mim, ainda conversam comigo, ainda me dão carinho, ainda me dizem ‘nós te amamos’, elas não me deixam dormir sozinho. Todas elas ainda estão aqui, comigo, são minha utopia.
Eu e minhas lembranças, andamos ligados de forma umbilical, ela é meu alimento, meus sais e minha sobrevivência. Sou louco por te amar dessas e de outras formas todos os dias, de me lembrar da tua presença em cada intersecção de passos. E tu, nem sabes que existo, não mais. E isso não é pior da loucura, a mais esquizofrênica das minhas idéias é a de que tudo que não existe nesse mundo é perfeito. É puro e fértil, o mais doce dos frutos. Já larguei pelos marcos dos meus passos, pequenos borrifos de minhas palavras, e rezo todos os dias para que tu as encontres e sigas até o fim, porque não me importa o tempo, não me importa a eternidade e não temo a morte, estarei te esperando por noites e dias, rareados sois ou chuvosas tardes de domingo a domingo, não temo o meu destino, estarei te esperando até o soprar da minha vela. Mesmo que jamais nos encontremos, a honra de ter sofrido por ti e não por outro, será a marca da minha vitória neste mundo, e partirei com as feridas deixadas por ti em meu peito.
De qualquer modo, meu amor, sofro porque quero, porque sofrer é belo, é amar. E amar é ser vivo. São coisas da vida. Não há o que mudar.


PR.

14 maio 2009

Carência e Sabedoria

Loucura me liberta, me isenta de dor, amor e rancor. A dor me desperta, dos sonhos, dos desejos e daquele amor. O amor me tranqüiliza, faz-me ignorante e pétalas. O rancor me leva a loucura.
São circuncisões paralelas, são tudo que não existe, são tronos que me engrandece, objetivos e castelinhos, de mormaços aos trópicos de cânceres que em mim só consiste em leite franzino.
Eu me mutilo, física e psiquicamente, dando às minhas quimeras o sangue que escorre pelos meus segredos, lento, manto dos meus prantos. É êxtase para os meus fantasmas, aqueles que insistem em me lembrar de olhar para o penhasco. E desabo, caio, afundo, morro e inexisto.
Loucura me liberta, a dor me desperta, o rancor me alucina e o amor me resguarda de ser pior a cada dia.
Os dias são, pessoalmente, insuportáveis. Calo mas não saro, sopro e não vazo. Ponteiro parado, o suor dançando, reluz incidente clarão que se quer percebi despertar.
Ando, levado por um vicio: a loucura me fascina.


PR

27 abril 2009

DIREITOS AUTORAIS →

"Sem querer ser chato, mas já sendo..."

Eu nunca me importei tanto em ver meus textos daqui do blog e de outros sites circulando por aí, mesmo, até eu descobrir por coincidência que um "FDP" andou copiando alguns dos meus textos e modificando o título E O NOME DO AUTOR! Aí ultrapassou os limites. Coisas assim me deixam louco – falar num português bem claro: eu fiquei PUTO demais com isso, no mínimo merecia meus créditos. Não é?
Então, ess
a 'postagem' é pra você Senhor Plagiador:
O termo de leitura ao lado indicado com a graça de "Direitos Autorais", dita a lei sobre a autoria e a posse em virtude às obras tangíveis e/ou intangíveis PRODUZIDAS, editadas e publicadas POR MIM neste blog. A violação desta resultará no encerramento da sua conta onde o material foi plagiado, e se eu estiver de bom humor, convenientemente sugiro que reze para que não, eu mesmo me darei o trabalho de lhe causar uma grande dor de cabeça. Pronto! Ameaça dada. E se quiser copiar, copie, mas evite a modificação do título, corpo e principalmente o nome do autor, caso não saiba é PR Lima, e só.

Grato.

Usei essa fonte só pra parecer mesmo uma carta, faz um charme tão legal.

19 abril 2009

Dois em um

resolvi publicar duas postagens de uma só vez. :) já que eu sei que ninguém vai fazer questão de ler tanto. resolvi postar duas em uma, para facilitar a leitura de quem lê e se dá o trabalho de comentar, e para estes, obrigado pela paciência e pela fidelidade. :*
Em Paralelo

Como se diz na matemática, dois segmentos em paralelo jamais se encontram. As mentes humanas são vários segmentos em paralelo.

[argumento um] – às 00h12min AM (quinta-feira, 16 de abril)
Eu acredito numa vida corroída, onde planos são apenas cartas Tarot viradas sobre uma mesa: podem ou não vir a tona. Onde seguir sempre seus próprios princípios, somente, é acreditar que a terra ainda é plana: sem ter uma mente aberta, você acaba pensando que caiu num abismo ao desrespeitar-los. A vida não é só uma, são várias, logo, também, são várias doutrinas e várias regras, acreditar que elas sempre vão reagir de acordo com as suas lógicas e girar sempre em torno de uma única crença é ignorância, é querer ser só – sempre uma regra vai contrariar a outra, sempre um princípio vai anular uma ordem, porque não aceitar várias idéias e deixar por vezes a própria para entender outro preceito? É preciso sempre algo Novo para girar.

[argumento dois] – às 04h54min AM
Em algumas espécies que ocorre entre os anfíbios, existem os machos que podem mudar de sexo durante todo o seu ciclo vital para manter a geração de sua espécie.
Antes de receber quaisquer classificações, todo corpo constituído de cromossomos, células e outras coisas mais, é descendente de uma só origem. Então o que pode garantir que tudo que vemos sobre a terra e precocemente determinamos como normais ou anormais, de fato é o que julgamos? Não existem características fixas para algo ser classificado como anormal ou normal. Normal é contrariar, sobre tudo, normal é ser anormal. Quem vive de acordo com a sua anormalidade, loucura pode-se dizer, e usufrui do respeito pela loucura dos outros é quem é vivo de verdade. Loucura é um dom que para poucos nessa vida foi concebido. São coisas que devem ser priorizadas na vida. Além do mais, o que importa na vida mesmo é a procriação, pois o que difere uma espécie de outra, é o que ela gera: alegria, amor, rancor, etc. É só o que vai importar no final.

[argumento três] – às 13h27min PM
Em relação ao amor, do qual não me canso em discursar, tomei em conta de que acredito nas formas em que ele pode se manifestar, tais como no ardor do ódio, no doce enjoativo do rancor, na clareira decepção e nos sons da solidão. Ao longo de alguns meses que se resumem em alguns instantes, aprendi que o amor verdadeiro nunca se esgota, apenas insensibiliza. Pode ser despertado com o murmuro de um grilo.

[argumento quatro] – às 3h19min PM (sexta-feira, 18 de abril)
Sobre uma pequena felicidade que inchou nos meus lábios.
Porque sempre esta ‘felicidade’ resolve despertar em mim logo quando estou à beira de me adaptar com um estado insuficiente?
É ridículo, mas sou como uma mulher gorda: come tudo que vê pela frente apenas com o impulso de satisfazer a falta de algo que ela desconhece, ou se é apenas uma compulsão, já eu, inconscientemente procuro algo que satisfaça a minha necessidade de felicidade diária. A mulher gorda só vai emagrecer quando descobrir o que pode dar tanto prazer em si quanto comer, e se caso exista a falta de algo, o que poderia recompensar essa carência. Quanto a mim, acho que só vou aprender a ter controle quando, assim como a gorda, ter consciência do quanto o excesso de felicidade na minha vida causa conflitos emocionais. Eu já sou feliz, não preciso de mais felicidade na minha vida. Assim como tanta coisa na vida a felicidade em excesso também pode ser nociva, ela pode anestesiar outros sentidos que nos são de extrema importância.
Felicidade e tristeza, ambas são essenciais para a vida: uma te dar prazer e conforto, a outra, te desperta e te trás de volta ao chão.

PR Lima


Saudades

Ah que saudades. Que saudades eu sinto de amar, que saudade sinto de me comportar feito criança numa cama, e como sinto falta de ser de alguém, saudade de sentir saudades. Como queria ser paquerado e como queria te encantar outra vez, meu Deus, como tudo aquilo era tão lindo.
E os intensos suspiros no dia dos namorados, aquilo tudo era muito puro e saudável, como era lindo te ver sorrindo e acompanhar a tua felicidade. Como era maravilhoso te fazer apaixonado e eu ser a causa dessa paixão, como era gostoso aquele cheirinho do teu cabelo, a maciez da tua pele quando tu deitavas em mim. São tantas coisas que juntos realizamos. São tantas recordações que de nossos sentimentos foram gerados.
Quando me apaixonei pela primeira vez por ti, foi quando senti uma explosão de bilhares lírios, jasmins, lavandas e margaridas florescendo dentro de mim tudo ao mesmo tempo, quando escutei o bater de asas de um beija-flor, bem lento, bem calmo e um som mudo que só os olhos podiam escutar. Como era incrível te desejar, como era uma conquista da paz te amar, contigo eu era feliz, eu era radiante, eu era bonito e inteligente, eu era grande.
Como era bom ser inocente, porque sim, somos inocentes indagações quando estamos apaixonados. Tua respiração ainda corre dentro de mim, meu amor ainda desperta quando te encontro. Ainda me torno um bobo quando escuto a tua voz. Tu ainda és o meu maior amor do mundo.
Te amo como se nunca tivesse amado antes e tivesse sede disso, sou viciado e louco por ti.

PR Lima

02 abril 2009

Desabafo

JustificarVou fazer uma coisa que eu acho que NUNCA fiz nesse blog, DESABAFAR!!
Um dia desses, eu mandei esse recado (abaixo) pra uma menina que me tirou MUITO do sério num site de relacionamentos:
"Querida Jéssicka, tentarei baixar o meu nível para igualar ao seu e tentar ser bem claro e principalmente direto possível.
Primeiro, você não é elegante tanto quanto diz ser, isso que você tem e teima em afirmar ser 'elegância' tem outro nome no mundo onde vivemos: ridicularidade. Sim! Você é ridícula parece mais uma jacaré-açu fêmea de batom vermelho-puta quando ainda tenta combinar um tomara-que-caia preto-borro (de tanto lavar à mão) com jeans xadrez cor-de-fezes. Sinto muito, mas vem o segundo tópico e digo, você não é linda, chega a ser bonitinha, aquela que é uma feia arrumadinha, mas no seu caso, penso bem e digo que é você feia mesmo (rs). Terceiro, você diz ser inteligente, então me diga, sabe quem é Aurélio Ferreira? Não? Pensei que soubesse, porque você o esfaqueou várias vezes só na auto-descrição no seu perfil do Orkut. Meus pêsames a ele (e puta que pariu, à sua professora de língua portuguesa também não é? rsrsrsrsrs). Quarto, é mais um pós escrito, quando for ao banheiro derrubar um barro, leve junto a você um livro chamado Mini Aurélio, mas não é para usar para limpar o seu magno abismo, é para ler.

Beijos. Não, deve ser horrível lhe beijar, um tchau de longe e até nunca mais. "

(JOGA O MILHO!!!)

Sabe o que a doida respondeu depois?
Obs: usei Ctrl+C e Ctrl+V
"olha meu amo eu naum sei pq voce vem mim fala essas coisas, mais eu naum vo prede meu tempo respondedo esse seu escrepe tah bom? e eu sou linda sim voce eh q tar com invegia pq ninguem te ama, voce vai morre assim do geito q voce tar SOSINHO!!!! pensa q eu naum sei me vistir eh? vai lah ve as minhas foto no aubúm do meu orkut, eu sou maravilhosaa ok nem? eu erro muito pq eu naum ligo pra essas coisas, o emportante eh voce entender o recado, e ele estar dado."

OOOOOK!!!!! Eu levei muito em consideração a parte em que ela disse "o emportante eh voce entender o recado" porque realmente se deve levar em consideração a idéia que um texto passa, mas pelo amor de Deus, será que a prova de redação que essa garota vai fazer daqui a alguns anos vai ser ao menos entendido se ela continuar escrevendo desse jeito?
O tal do desabafo: olha, ultimamente ando escutando e lendo muito sobre alunos que espancam professores e também que o nível da educação brasileira está subindo. Mas bem, que importância teria se o nível da educação brasileira subisse se ainda vão existir os estudantes que não exercem um mínimo de esforço para estudar, os tais que espancam os seus professores? Educação brasileira deveria ser de alto nível E bastante rígida, porque se não o governo federal vai continuar gastando verba em algo sem futuro, isso quando gasta em algo bom não é? Deveriam dar mais credibilidade aos alunos que demonstram dedicação nos estudos, e achar alguma ocupação ou uma forma de fazer os ‘despreocupados’ a ter mais interesse pelos estudos. A educação é uma coisa tão divina. É de se lamentar ver o Brasil num estado assim. =/
Eu tenho nada contra esses ‘despreocupados’, porque eu acredito que daqui a algumas décadas, os alunos que dedicam horas para os seus livros de matemática, português e outros mais, vão precisar de faxineiros na sua futura empresa.

Pronto, falei, odeio ficar irritado assim. Vou tentar voltar ao meu patamar terminando de assistir aos Simpsons.

escrepes, SOSINHO!!! e o Emportante foram os melhores, nem acredito que eu li isso, sério. :s

31 março 2009

Preâmbulo de um Suicídio


Capítulo UmO Prefácio do Preâmbulo

Em uma cadeira de ferro de aparente ferrugem que dava sede, Paulo ressoou algumas lágrimas, lágrimas que ousou pensar no passado que jamais tornaria a plantar em seu rosto, aquela mesma contração nos lábios, o mesmo tremer das bochechas e as mesmas dores no queixo do antes-de-chorar. Clamou várias vezes por ajuda, mas bem mais parecia gritar em um sonho onde ninguém entendia a sua língua e nem menos tinha voz. Gritava dentro de si de uma forma a sufocar o seu pulmão, como quando se tenta pronunciar alguma palavra e a ronquidão impede a vibração das cordas vocais e a passagem de ar. O que estava prestes a ocorrer era magnífico. Paulo recordava da experiência nas fracassadas tentativas de suicídio no passado, GN havia concebido o valor que ele necessitava tanto em sentir, havia lhe dado a clemência do bem estar em viver, mas nos últimos trinta e alguns dias, o mesmo que lhe ofertou o sabor pela vida, tomou de suas mãos o que tanto valorizava e acredita ser pela eternidade. Freqüentemente Paulo meditava sem intenção sobre os planos que construiu nos berços de GN, sobre o castelo que com cuidado arquitetou nas mãos dele, almejos que no decorrer da sua relação com o mesmo tornavam-se maiores e engordavam alimentados com as felicitações que GN lhe causava. E quando pensou estar correndo na direção certa, perdeu o equilíbrio tropeçando num galho de fissura esplendida chamada Decepção. Tudo havia desmoronado em sua frente, e um pouco mais para baixo, todo seu chão tornou-se sal e despertou a dor das incisões nos pés que, de tanto andar em nuvens, havia esquecido que ainda estavam ali. Toda aquela tristeza, mágoa e ódio que agora era a prova crua de um temor que o assombrava há algumas temporadas, aquele passado de boemias e cigarros, apenas havia adormecido. E agora, estava de volta, presente nos seus pequenos olhinhos tristes e avermelhados para torná-lo outra vez aquele garoto que fechou as janelas, trancou as portas e partiu seus pulsos em dois. Paulo dali a pouco, estaria se lançando em um “O” de um fio de mouse velho amarrado num pedaço de madeira que sustentava o telhado de sua casa. Paulo, dali a pouco, estria frio e finalmente pararia de chorar – o que ele odiava por sempre logo após causar dor de cabeça insuportável.

28 março 2009

Preâmbulo de um Suicídio

Prefácio

Houve três ligações que Paulo não quis atender. Houve restos de biscoitos e meio copo de leite que deixou sobre a mesa do computador, num quarto empoeirado. Respondeu seus recados num site de relacionamentos, atualizou sua página na internet. Quietou por alguns instantes.
Houve duas ligações seguintes que Paulo não pôde atender. Restou ainda o leite e o biscoito sobre a mesa. Paulo não responderia mais seus recados, nunca mais atualizaria a sua página na internet. Restou também o seu corpo frio e os últimos suspiros que ainda dançavam pelo ar do seu quarto. O cigarro morreu quando saltou das mãos de Paulo e mergulhou em seu sangue, que rastejava decorando o piso, deixando um lindo efeito que espelhava o teto.
Houve um amor que Paulo não quis perder. Antes de toda aquela febre, desligou uma ligação com GN, não houve carta de despedida, não houve ameaças e muito menos força, que tanto tinha quando junto a ele. Paulo tremia a sua voz ao telefone, falava absurdos, barbaridades em tons de desespero e sarcasticamente ria de suas mágoas causadas. Suas tristezas disseminavam pelo seu corpo, deixando-o fraco, sem força até mesmo para se manter em pé ao lado do gancho do telefone. Mais tarde, a prática do pecado. Bastou uma faca de cozinha e uma garganta.

Capítulo Um

Algum dia continua, se o autor sobreviver.


Que minhas palavras diluam nos teus olhos lentamente. Meças o meu tamanho quando eu estiver ao teu lado, se assustarás com a minha grandeza.