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24 abril 2009

Uma breve autobiografia

A Vida Amorosa

Recentemente terminei um relacionamento que quase, por outro caso que não este, acabaria em casamento. Lamento muito por não ter dado certo, lamento mais ainda por eu ter sido tão defeituoso e tão, sobre tudo, humano.
Temo muito antes de conhecer alguém que eu não satisfaça os requisitos básicos para o cargo de um Bom Namorado, mas eu tento ser absurdamente eu mesmo, porém, pelo contrário, ao meu último companheiro fui tudo que não sou, tudo que eu não queria. Eu gastei tempo demais tentando me moldar para agradar (com medo de perdê-lo) as perspectivas esperadas por ele: alguém que não fuma, que tenha uma estrutura rígida e postura madura, alguém que não beba muito nos finais de semana, que não ande com ‘supostos’ amigos que me ofertam diversão além do permitido segundo a escritura sagrada. Por ventura dele, o então em questão Ex, eu intolerantemente fui fiel, incompreensivamente dedicado, romântico à La século XIX, e mais, fui carinhoso e digamos que criativo nas horas de laser a dois. Mas acabou. Pena.
Segundo a astrologia chinesa, sou do signo de dragão do elemento terra, onde diz que meu temperamento é excessivo, ou seja, que em tudo que se pode sentir, em mim a potência desse sentimento é elevada. Sou um tipo, modéstia, de amante extremamente escroto, paparico, dedico poemas e MPB, faço cafuné até dormir, acordo na madrugada pra abraçar enquanto dorme e lá se vão as “melequeiras”. Em fim, sou uma boa pessoa, apesar dos meus inúmeros defeitos, e pergunto: o que seria de nós, humanos, sem os nossos defeitos? Querubins? Não, seriamos insuportáveis. Por tanto, quando eu disse no início deste texto que “lamento mais ainda por eu ter sido tão defeituoso e tão, sobre tudo, humano.” causei pleonasmo, quando “ser humano” e “ser defeituoso” são a mesma coisa.
Tento me relacionar com pessoas novas, mas não consigo, bem que tento. Hoje vi uma formiga agonizando numa teia de aranha, fiquei indagando se ela realmente quisesse sair de lá, porque eu imagino que ela ainda seria capaz de distinguir duas coisas: permanecer na teia e servir-se à aranha por saber que não teria mais jeito; continuar alimentando sua incansável esperança de escapar do casebre da predadora. Por dois ou três instantes, vi a formiga imóvel, ou pelo cansaço ou pela desistência ou mais ainda por um fingimento fútil de taquicardia, a aranha se aproximou e, acho que ela analisou, e também parou. O fim da formiguinha você já deve fazer idéia. Tento todos os dias me livrar de uma teia que o meu ex içou ao meu redor, onde quer que eu vá, eu me lembro do cheirinho do suor dele, onde quer que eu pare, tem alguma marca que deixei – uma vez disse que iríamos encher o mundo com as nossas iniciais, quase consegui, marquei “P & G” no banco do ponto do ônibus, na árvore onde ele me beijou pela primeira vez, no concreto fresco frente a pizzaria onde comemoramos o nosso aniversário de alguns meses, e também na qual onde vandalizei “P & G ∞(infinito)” com um rabisco numa parte da parede da pizzaria onde não podia rabiscar, e outros lugares mais. Mas não dá, ele continua me conquistando sempre que vejo uma fotografia com um sorrisão dele, ele continua me intimidando com a sua voz forte quanto trovão, continua me causando febre quando me toca. Continuo na teia dele.
Por fim, eu ainda amo, por mais que não queira, porque amar é sinônimo de dor e sofrimento tardio, e eu tenho uma estranha filia por sofrimento amoroso, amar é como andar em uma corda banda: você sabe que ou chegará ao outro lado a salvo, ou cairá num fundo de um prolongado frio-de-barriga.
Amar, lindo e tosto.

PR


Visitem o meu Recanto: http://recantodasletras.uol.com.br/autores/prlima o/

22 março 2009

É com o erro que se... erra!


Nós certamente aprendemos com os nossos erros, mas o que aprendemos é como cometer mais erros, mostrou uma nova pesquisa.

Essa idéia aparentemente contraditória veio de um estudo sobre o fenômeno chamado em inglês de tip of the tongue (TOT), ou “ponta da língua”, em tradução literal. O estudo foi detalhado na edição mais recente do Quarterly Journal of Experimental Psychology.
Essa idéia aparentemente contraditória veio de um estudo sobre o fenômeno chamado em inglês de tip of the tongue (TOT), ou “ponta da língua”, em tradução literal. O estudo foi detalhado na edição mais recente do Quarterly Journal of Experimental Psychology.
O estado TOT ocorre quando seu cérebro acessou a palavra correta, mas por alguma razão não consegue recuperar a informação do som que ela emite. Mesmo que essa falha possa ocorrer independentemente do tamanho de seu vocabulário, os pesquisadores descobriram que TOT ocorre mais para pessoas bilíngües (eles têm mais palavras para filtrar), pessoas mais velhas ou com danos no cérebro.
“Isso pode ser incrivelmente frustrante; você sabe qual é a palavra, mas simplesmente não pode falar”, disse a pesquisadora Karin Humphreys da Universidade McMaster em Ontário, Canadá. “E uma vez que você [pronunciá-la], sente um alívio tão grande que pensa que nunca irá esquecê-la novamente. Então você esquece.”
Nós sabemos que o cérebro trabalha assim; reforça tudo o que faz. Portanto [os resultados do estudo] fazem bastante sentido”, disse ela. “Mas ao mesmo tempo isso é tão contraditório a respeito de sentirmos que devemos aprender com os nossos erros.”

Está na ponta da língua

Karin com sua colega Amy Warrier testou o acesso mental às palavras em 30 estudantes de graduação.
Foi oferecida aos estudantes uma série de definições e eles tinham que indicar quando sabiam a palavra correspondente à definição, quando não sabiam ou se a resposta estava na ponta da língua. Se um estudante respondesse com a terceira opção, ele passaria 10 ou 30 segundos tentando lembrar-se da palavra antes de receber a resposta. Dois dias depois os estudantes completaram o mesmo teste com as mesmas definições.
Os estudantes tendiam a reportar TOT para as mesmas palavras que haviam torcido suas línguas no primeiro teste. Aqueles que receberam 30 segundos para lembrar-se da palavra no teste anterior tinham maior chance de ficarem travados novamente.

Erro causando erro

O período durante o qual as pessoas continuam a pesquisar seus cérebros pela resposta pode ser chamado de “aprendizado de erro”, disse Karin. “Você continua reforçando em si o caminho errado, ou você tem 10 segundos para este mau aprendizado, ou você tem 30 segundos para este mau aprendizado.”
Em um estudo posterior os pesquisadores descobriram que a melhor maneira de lidar com o aprendizado do erro é repetir a palavra (em voz alta ou dentro da mente) uma vez que você descobriu a resposta correta. E ao invés de tentar recuperar a palavra fujona, pare e peça para um colega olhar na internet.
As descobertas podem ser aplicadas a outras situações incluindo músicas e esportes. “A música ensina a conhecer este princípio; dizem para praticar lentamente”, disse Karin. “Se você pratica rápido, você simplesmente pratica os seus erros.”

É, isso contraria o "Errar é humano, persistir no erro é burrice".


(Fonte)